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Semana de Atualização 2010 – A Conjuntura Econômica Brasileira

Abrindo a “I Semana de Atualização de Conhecimentos Estratégicos”, em  Porto Alegre, em 07 Jun 2010, o Prof. Dr. André Felipe Zago de Azevedo (UNISINOS) apresentou uma palestra cujo tema foi “A CONJUNTURA ECONÔMICA BRASILEIRA: A reorganização interna e externa e a inserção do Brasil – Oportunidades”.

 

Basicamente, tratou do “Novo Momento da Economia Mundial”, falando da recuperação do crescimento ao lado de maiores taxas de inflação e déficits fiscais; tratou também da Situação Brasileira, explicando as determinantes do crescimento econômico ao longo dos últimos quatro mandatos e da piora fiscal dos últimos anos. Refletiu ainda sobre as eleições de 2010 (“um olhar pelo retrovisor”) e sobre a perda do dinamismo econômico da Região Sul – “Problemas endógenos e exógenos”.

 

Abriu a sua explanação mostrando uma série de gráficos e tabelas com índices econômicos que explicam como o Brasil assumiu uma maior visibilidade na economia mundial, com seu crescimento econômico puxado pelo crédito e pelo mercado de trabalho, ambos aquecidos. Acrescentou, todavia, que ainda apresenta necessidade de reformas estruturais, sendo as Eleições em 2010 a oportunidade para pensar no futuro e não no passado.

 

Em sua exposição mostrou como o Governo FHC conviveu com uma série de choques externos, exemplificado pelas crises: mexicana (1994), dos tigres asiáticos (1997), moratória russa (1998) e crise argentina (2001). Além disso, explicou como este governo optou por uma rigidez da banda cambial, algo que amplificou os choques externos. Em sua exposição ficou claro que o Governo Lula deu continuidade as principais políticas de FHC, as quais foram mantidas e ampliadas, aplicando metas de superávit primário, de inflação e um câmbio flexível, medidas que corrigiram os problemas deixados pelo governo anterior, embora tenha ficado transparente que se tratou de uma continuidade. A era Lula foi de prosperidade mundial, abalada somente pela mega-crise do subprime dos EUA, por esta razão não há como comparar os dois períodos governamentais, já que as condições recebidas pelo atual governo foram benéficas ao seu planejamento.

 

Quanto aos problemas da Região Sul, afirmou que, desde 2003, os fatores endógenos dos baixos investimentos públicos estaduais representam menos de 1% dos PIBs estaduais e, em 2009, o RS viveu a pior situação, pois os investimentos chegaram a apenas 0,3% do PIB. As conseqüências dos baixos investimentos se refletem em uma infra-estrutura deteriorada. Também frisou a falta de união política em torno dos interesses da região, mostrando que as disputas políticas dificultam os avanços econômicos. Como fatores exógenos, André Felipe Azevedo citou a acentuada valorização cambial, que prejudica os Estados do sul do Brasil, dado o seu perfil exportador. A Sangria Fiscal dos estados do Sul/Sudeste para estados do Norte/Nordeste foi outro ponto destacado. Conforme demonstrou, a maioria dos estados (15), especialmente nas regiões Norte e Nordeste, recebem mais transferências de recursos do que a União arrecada nessas regiões. Citou ainda o acirramento da guerra fiscal entre as regiões do país.

 

Encerrou a sua participação demonstrando um cenário otimista em relação ao Brasil, independentemente de quem for o próximo Presidente da República, tendo em vista as perspectivas da economia interna e das oportunidades para o país.